Sabrina

Um homem de smoking preto e cartola se move no meu campo de visão, que tem o enquadramento cinematográfico e generoso de abrigar ainda duas mulheres gordas ao seu lado. Uma de vestido verde limão, corte elegante estilo Cristian Lacroeux, a outra veste um preto justo de tecido chiquérrimo e brilhante, mas que marca todo seu corpo deformado pela obesidade. Algumas mesas repletas de garrafas de champagne, taças, cinzeiros e um arranjo de flores no centro, orquídeas. E muitas pessoas, todas alegres, embriagadas, envolvidas por um eletrizante frenesi. A música vem vibrante, penetrando os nervos, ligando, fazendo o sangue de todo mundo ferver.
Alegria, toque, calor, fumaça, perfumes, bebidas, bocas, olhos, gotas de suor brotando nas peles como orvalhos, sexo.
Afrouxo a gravata borboleta do meu smoking que está todo molhado com meu suor, na minha boca o gosto de champagne e cigarro. Preciso dar uma volta.
Dance me until the end of love.
No meio daquele emaranhado de corpos, enrosca-se ao meu um corpo pequeno, delicado, que me dá a impressão de estar em contato com o corpo de uma ave, um cisne. O pescoço fino, lisinho, exala um perfume doce e suave. A cintura fina e os quadris arredondados logo me despertam a sensação voluptuosa de luxúria . E muito próximo daqueles olhos verdes penetrantes que me autorizam a tudo, sinto o cheiro da vida que sai por uma boca vermelha que chama minha língua. Beijo-a demoradamente com força.
Com as veias do pescoço latejando como se o próprio coração quisesse sair pela garganta, saio pelo salão com velocidade de um caçador faminto segurando a minha caça pelo seu pulso fino, e por isso sinto seu batimento cardíaco disparado, que me incentiva a acelerar meus passos e sair logo daquela muvuca.
Um jardim enorme se abre para nós, o luar recorta os arbustos de um verde escuro. Nenhuma testemunha.
Embrenhamos-nos pelos arbustos.
Beijo.
Que lindos olhos.
Sabrina, e o seu?
Ramón.
Médico.
Modelo.
Seios.
Mãos.
Pau.
Penetração.
Saliva.
O tempo se dilata naquele vai e vem de puro prazer.
Seus olhos me fitam penetrantes, alegria.
Meu pau incha ainda mais dentro da sua vagina úmida, sinto o gozo iniciando seu percurso, em seus olhos a vida em seu estado puro de contemplação, minha mão direita pega uma arma na cintura.
Gozo.
Dois tiros, com silenciador.
Em seus olhos vejo a vida em seu ápice, e a sugo.
Com meu bisturi corto seu dedo anular direito, nele um anel de ouro com uma pedra de diamante, guardo-o num saquinho zip-lock de plástico.
Enquanto caminho em direção ao carro, a alegria irradia minha alma.
Para o Hotel.

1 Comments:
Gostei dos dois tiros com silenciador... Ramon, onde você está que não está na minha vida?? Eu tenho 10 dedos pra você cortar, todos anulares...mas todos sem anéis... e a gora?
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